De Rua – experiências com educação de jovens em situação de rua

Conversa com Júlio Gonçalves Dias e Plínio Camilo sobre suas experiências como educadores de jovens em situação de rua e seu livro "De Rua" (ed. Kazuá), coletânea de narrativas em que os autores recriam, em pequenos contos, histórias de adolescentes habitantes das vias urbanas, e aproximam o leitor de vidas submetidas a privação, abandono, estigma social e ocultamento.

Júlio Gonçalves Dias é sociólogo (formado pela USP), educador e escritor. Trabalhou como educador na Secretaria do Menor pela Casa Aberta, no Projeto Avizinhar da Universidade de São Paulo e na Ação Educativa e Instituto Sou da Paz, como facilitador para projetos com jovens lideranças pelo Centro Nacional de Formação Comunitária. Publicou também o livro infantil, ilustrado por Constança Lucas, "A menina e o sol"; "Pequena história das coisas", ilustrados por Carlo Giovani; além de microcontos e poesias na Revista Recreio.

Plínio Camilo é educador, realizador teatral e escritor. Trabalhou como educador na Secretaria do Menor pela Casa Aberta.  No curso de Extensão Cultural na área de teatro da Unicamp atuou em diferentes áreas da realização teatral. Publicou também "O namorado do papai ronca", romance infanto-juvenil; "Outras vozes: contos sobre o negro escravizado no Brasil" e "Bombons sortidos"; ao lado de outros autores, participou das coletâneas "Abigail"; "Assim você me mata"; "Coração Peludo"; "DesContos de Fadas"; e "Primeiramente"; organizou a coletânea "Escangalhar"; ministra oficinas literárias.

Taís Cabral Monteiro estará na Casa Amarela da Vila Romana para falar sobre a cidade como lugar da experiência, da memória, da imaginação e espaço processual da pintura, a partir de sua tese de doutorado Percursos poéticos, defendida na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo/Eca-USP

Taís Cabral Monteiro é doutora em Artes Visuais, mestre em Poéticas Visuais e graduada em Artes Plásticas com Bacharelado em Pintura, todos pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo/ECA-USP. É pesquisadora do Grupo de Estudos Cromáticos na ECA-USP; atua como docente em cursos de graduação e pós-graduação.

Coabitação durante exposição FLÚMEN

Um dedo de prosa com a filósofa Adrienne Firmo

Adrienne Firmo é professora, curadora e pesquisadora na área de artes visuais; coordenadora dos cursos de arte e cultura da escola livre Bolandeira; membro do Grupo Museu/Patrimônio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo-FAU/USP; colaboradora da Revista Ara, da FAU/USP. Doutora pela FAU/USP; mestre em estética e história da arte, pelo Programa Interunidades da Universidade de São Paulo-MAC/USP; graduada em filosofia pela Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo-FFLCH/USP.

Intervenção no espaço expositivo – proposta da artista Janice de Piero

Participantes são convidados a dialogar com as obras da exposição Três Salas e os espaços da Casa Amarela.

MARCELO LAPUENTE
Ator e diretor teatral e artístico. Atua profissionalmente no teatro brasileiro desde 2001, em espetáculos como A sombra de Quixote, O homem provisório, Os figurantes, pela Casa Laboratório para as Artes do Teatro; e Hamlet, por Ron Daniels.  Diretor Artístico e criação em Live Marketing na Sketchbook Visual Solutions.

PAULO FERRAZ

Poeta, tradutor, ensaísta e editor. Graduado em Direito e História, mestre em Teoria Literária. Autor de Constatação do óbvio, Evidencias pedestres, De novo nada, este editado no Brasil, México e Equador. Tem poemas publicados em diversos países. Organiza e edita antologias de poesia contemporânea brasileira e latino-americana.

Paulo Ferraz: graduado em Direito pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo e História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Mestre em Teoria Literária pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

ELAINE PAULINO

Psicanalista e professora de Yoga. Graduada em Administração de Empresas. Ministra aulas regulares de yogaterapia, oficinas e cursos formativos. Participa das formações clínicas do Fórum Lacaniano São Paulo. Realiza intervenções com grupo de mulheres nos quais articula yoga e psicanálise, principalmente junto a movimentos negros.

Coabitação durante a exposição Três Salas

LEONARDO MELLO E SILVA

Professor do departamento de sociologia da USP e pesquisador do
centro de estudos dos direitos da cidadania (CENEDIC - USP).
Tem publicações na área de sociologia do trabalho.


Participou da fundação do MOVER (movimento de oposição à
verticalização) que surgiu em 2003 no bairro de Vila Romana após
a derrubada de duas grandes fábricas históricas da região pela
especulação imobiliária.

Coabitação durante a exposição Três Salas

MARCELO LAPUENTE
Ator e diretor teatral e artístico. Atua profissionalmente no teatro brasileiro desde 2001, em espetáculos como A sombra de Quixote, O homem provisório, Os figurantes, pela Casa Laboratório para as Artes do Teatro; e Hamlet, por Ron Daniels.  Diretor Artístico e criação em Live Marketing na Sketchbook Visual Solutions.

Coabitação durante a exposição Três Salas

Conferência e leitura de poemas da escritora Geruza Zelnys.

Geruza Zelnys é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP, Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP com pós-doutorado em Filosofia da Educação (UNIFESP). É idealizadora e criadora do curso de Escrita Curativa.

Dia 04 de março de 2018 (exposição Três Salas).

Comemoração do Aniversário da Cidade de São Paulo na Casa Amarela.

 

Eventos dia 25/01/2018

Exposição Três Salas, Leitura na Calçada, Performance e Contação de Histórias.

Exposição Três Salas (instalações realizadas nos cômodos da casa).

Títulos: Entre Azuis; Casa Úmida; Transparências: duas mulheres e um homem.

Leitura na calçada, leitura aberta aos interessados em ler textos de autoras mulheres.

Performance de Clarissa Neder

“Tensões e Fricções” performance que envolve o ato de fiar e a derrama dos fios pelo espaço

Contação de história com a escritora Maisa Zakzuk referente ao seu livro “Árvore da Família”.

Contação de história com a escritora Maisa Zakzuk referente ao seu livro “Árvore da Família”.

Flúmen

Flúmen é rio, curso, corrente de água. Singra-se o vocábulo e encontram-se flu: escorrer, deixar-se ir, liquefazer-se; e men(t): atividade do espírito, pensamento, ideia, memória.

Rio e memória, desde a antiguidade funcionam como tradução um para o outro: Lethes, o mítico Rio de Esquecimento, quando negado, torna-se aletéia, esclarecimento, rememoração.  Ancorada nessas correspondências ancestrais de significados e imagens constitui-se a exposição de André Pardini e Danilo Rocco, que em suas poéticas particulares, buscam em conjunto confrontar os pares memória e materialidade, individualismo e coletividade, progresso e colapso.

Dedicada aos rios e à memória da cidade, a mostra aponta para a assimilação entre o automóvel e a identidade de São Paulo, desde o planejamento e a implementação da metrópole por seus planos de avenidas, modernização conservadora e prevalência da especulação imobiliária e monetária, que desapropria áreas a baixo valor para revalorizá-las por intermédio de obras viárias e da construção civil, forçando as águas urbanas a transformarem seu dinamismo geográfico em veículo para transporte de esgoto ou espaço para o veículo rodoviário, submetendo-as à retificação, à canalização e ao enterramento. Ao mesmo tempo em que são soterradas as memórias e vivências desinteressantes à produção imediata de capital.

Alegoricamente, os artistas arrancam os fragmentos dessa história de seu esfacelamento, forçando-os a significar, no esforço ético de reparar o percurso catastrófico, arrancam memória, cidade e rios da condição agônica de ocultamento e ruína pela ação plástica e imagética do fazer ver, desvelar, lembrar.

Ancestralidade, herança e legado são fundos comuns dos quais irrompem os trabalhos exibidos, seja na escolha do material pregnante e eloquente do composto água e petróleo ou na simbologia icônica e trajetual do desenho. Ao revirarem os fósseis materiais e sígnicos, ambos artistas convocam o que está imerso nas camadas subjetiva, privada e individual a reintegrar as esferas objetiva, pública e comunal, advertindo sobre reveses presentes nos ideais de sanitarismo, economicismo e consumismo que pavimentam os processos urbanos.

O exercício de uma espécie de dialética geológica, em que ecologia e memória da urbe são enfrentadas pela visualidade e artesania dos trabalhos artísticos, resulta neste espaço navegável de gestos e imagens, Flúmen.

                                                                                          

Adrienne Firmo - curadora

© 2018. Casa Amarela da Vila Romana - São Paulo